No sábado, a Justiça determinou que a solução do problema fosse dada em até três dias a partir da intimação, sob pena de multa de R$ 15 milhões para a responsável pela concessionária

Após uma semana de apagão no estado do Amapá, a empresa espanhola Isolux, responsável pela subestação de energia elétrica, pode ter a concessão cassada, de acordo com o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, que aproveitou para afirmar que cerca de 70% da carga de energia estavam recuperadas ontem. Na última terça-feira, a concessionária Linhas de Macapá Transmissora de Energia (LMTE), administrada pela empresa europeia, sofreu uma explosão seguida de incêndio. No sábado, a Justiça determinou que a solução do problema fosse dada em até três dias a partir da intimação, sob pena de multa de R$ 15 milhões para a responsável pela concessionária.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, reforçou a fala do ministro e pediu rigor nas apurações. “Os amapaenses exigem a apuração das autoridades e que a responsabilidade de todos os fatos que levaram ao apagão no estado seja rigorosamente investigada”, disse. “É fundamental que se investiguem as causas que acarretaram o incêndio na subestação no Amapá. E que os responsáveis sejam exemplarmente punidos para que essa tragédia nunca mais se repita”, completou o senador.

Em entrevista ao canal Globonews, o ministro Bento Albuquerque informou que, desde a última quarta, estão sendo apurados os fatos ocorridos e as causas, para garantir que as responsabilidades sejam imputadas a quem for de direito. “Me parece que há efetivamente um erro de planejamento, porque é inaceitável e inadmissível o que ocorreu”. Segundo ele, há um plano de energia que é acompanhado mensalmente pelo comitê de monitoramento do setor elétrico e que, até então, não tinha se observado nenhuma falha no sistema de abastecimento no Amapá.

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O chefe da pasta frisou que o mais importante, agora, é restabelecer a energia e garantiu que o sistema de energia brasileiro é “resiliente”. “Nosso sistema tem se mostrado resiliente. Nós tivemos, agora, durante a pandemia, um exemplo disso. Ocorreu algo semelhante na região de Santa Catarina. Em menos de 24 horas, todo o sistema foi restabelecido e, lá, também, houve um apagão em cerca de 90% do estado”, lembrou.

Sobrevivência

Enquanto a solução não chega, a população sofre com os efeitos. A maquiadora Daniely Pereira Pinto, 21 anos, mora em Laranjal do Jari, cidade vizinha de Macapá, conta que está preocupada com a mãe e outros familiares que moram na capital do estado. Sem notícias da família, ela diz não saber como os parentes estão sobrevivendo.

“Eu acredito que foi um acidente, mas uma capital grande como Macapá deveria ter um gerador reserva. Eles estavam querendo vir aqui, em Laranjal do Jari, pegar um gerador reserva que nós temos para levar para Macapá. Só que esse processo levaria 15 dias, o que significa mais 15 dias sem energia elétrica”, conta.

Eleições garantidas

Com a proximidade das eleições, marcadas para o próximo domingo, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Amapá, o desembargador Rommel Araújo, informou que há condições de se fazer as eleições municipais no estado. O ministro de Minas e Energia afirmou que “todas as garantias para que as eleições possam ser realizadas no dia 15 estão asseguradas”.

*Estagiários sob a supervisão de Andreia Castro

Correio Braziliense