Escrivãs da vida real. A série Bom Dia Verônica trouxe à tona, por meio da protagonista, o papel de quem trabalha como escrivão da polícia, desvelando um erro comum em associar este papel a um mero escrevente cartorário. Ana Rosa Campos é escrivã da Polícia Civil de Minas Gerais, na cidade de Manhuaçu, e tem a responsabilidade de ouvir, investigar e elucidar casos de polícia. Como Verônica, abraçou a defesa das mulheres contra a violência doméstica. Depois de criar a Delegacia da Mulher humanizada, ela criou o aplicativo “Chame a Frida” para ajudar mulheres no atendimento e denúncia quando elas começaram a ficar mais vulneráveis em meio ao isolamento social.

O aplicativo funciona com um chatbot no Whatsapp, que ampara e fornece atendimento 24 horas – algo inédito já que o interior de MG não conta com delegacias da mulher 24h. “As vítimas estavam com muita dificuldade de conseguir ajuda para denunciar a volência e ter acesso à delegacia”, disse Ana à NINJA explicando a motivação para criar o projeto. “Eu pensei muito também na mulher do campo, da Zona Rural, onde geralmente a internet não é muito boa mas muitas têm pacotes de telefonia de dados que até oferecem acesso ilimitado ao WhatsApp”.

Hoje o aplicativo já realizou 700 atendimentos e fez três prisões em flagrante. “Em um dos casos, uma mulher acinou o 190 que não atendeu, falhou. Ela então chamou a gente, mandou a localização na Frida por GPS, a viatura chegou e impediu um crime de feminicídio que iria acontecer se a polícia não tivesse intervido”, disse Ana.

O aplicatvo passou a funcionar, além de Manhuaçu, em Abre Campo, Caratinga e Governador Valadares. “Nesse meio tempo a gente já conseguiu emplacar um projeto de lei que já está em tramitação na Assembleia Legislativa e eu quero muito que vire lei”. Ana afirma que se a Polícia Civil institucionalizar o projeto, o Estado será capaz de desenvolver um bot ainda melhor e mais abrangente. Para iniciar a assistência virtual, ela pagou a licença com recursos próprios.

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“Chame a Frida” é hoje um dos projetos que concorrem a um prêmio nacional da revista Marie Claire na categoria de Segurança e Justiça, que visa reconhecer “aquelas que tentam mudar o cenário da violência que atinge meninas e mulheres no Brasil”. Vida longa à Frida!

Acesse chameafrida.com e saiba mais sobre o projeto.

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