Azul, Gol e Latam, as três maiores companhias aéreas do País, estão habilitadas para participar do leilão dos ativos da Avianca Brasil, em recuperação judicial desde dezembro. As informações são do jornal Valor Econômico.

O leilão, marcado para a próxima terça-feira, 7 de maio, faz parte do plano elaborado pelo fundo americano Elliott, e abraçado por Gol e Latam, e que acabou desbancando a proposta da Azul. Esta pretendia ficar com toda a operação da Avianca. O plano que foi aprovado pelos credores fatiou a Avianca em sete empresas. Estas devem ir a leilão na próxima terça-feira, se a Avianca seguir voando até lá.

John Rodgerson, presidente da Azul, disse, em meados de abril, que a empresa não tinha interesse em adquirir a Avianca dentro do modelo proposto por Gol, Latam e Elliott, maior credor da companhia aérea controlada pelos irmãos Germán e José Efromovich. A Azul fez questão de esclarecer na quinta-feira que mantém a posição de que não há interesse em participar do leilão.

Caso decida disputar algum ativo da Avianca, a Azul está formalmente habilitada para tal. A Azul também informou ontem que já estava habilitada automaticamente a participar do leilão pois há alguns meses fez um empréstimo — um DIP (debtor in possession ou empréstimo com caráter de investimento prévio) — à Avianca. Os recursos foram usados para pagar salários e outras despesas. Gol e Latam também fizeram DIPs para a Avianca.

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Gol, Latam e Azul entregaram documentação à Justiça que comprova a sua capacidade financeira, disse uma fonte que acompanha o processo para a realização do leilão. A Azul informou que a única documentação que entregou ontem à Justiça indicava as contas que ela tem a receber da Avianca — são US$ 13 milhões.

O plano da Azul para a Avianca era criar uma unidade produtiva isolada (UPI) que conteria todos os direitos de pousos e decolagens da Avianca nos aeroportos de Congonhas, Guarulhos e Santos Dumont, além de até 28 aeronaves e parte dos funcionários da companhia aérea, em recuperação judicial desde dezembro de 2018. O valor indicado pela Azul por esta UPI era de US$ 105 milhões.

Mas este plano foi substituído pela proposta elaborada por Elliott e abraçada por Gol e Latam. Neste plano, já aprovado pelos credores e homologado na Justiça, a Avianca foi desmembrada. Gol e Latam assumiram o compromisso de fazer lances mínimos de US$ 70 milhões por uma UPI cada uma.

No centro da disputa estão os slots (direitos de pousos e decolagens) detidos pela Avianca nos aeroportos de Congonhas e Guarulhos (ambos em São Paulo, e Santos Dumont (Rio de Janeiro). O interesse da Azul, quando assinou acordo com a Avianca em março, era, em especial, aumentar sua presença na ponte aérea entre Rio e São Paulo. Gol e Latam dominam esse trecho, considerado o filé mignon da aviação brasileira.

O prazo para a entrega da documentação na 1 Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro da Comarca de São Paulo que possibilita participar do certame marcado para 7 de maio, em São Paulo, encerrou-se ontem. Os interessados, segundo Carlos Teixeira Leite Neto, diretor comercial da Mega Leilões, deverão estar presentes e fazer seus lances em viva-voz.

Fonte O SUL