As Cataratas do Iguaçu registraram a menor vazão de água do ano nesta quinta-feira (2). Isso ocorre devido a falta de chuva ao longo do Rio Iguaçu, o maior do Paraná, que nasce em Curitiba e deságua em Foz do Iguaçu.

Segundo o monitoramento feito pela Copel (Companhia Paranaense de Energia), a vazão do posto hidrométrico Hotel Cataratas, em Foz, foi, às 14h, de 259 mil litros de água por segundo (259 m³/s), o equivalente a 14% da média histórica de 1.730 mil litros por segundo.

Além disso, a Copel também informou que a maior vazão deste ano foi de 1.695 mil litros por segundo, registrada no dia 18 de janeiro. Nos registros dos últimos quatro dias, a vazão mais alta foi de 293 mil litros de água. Isto é, os números estão muito abaixo do normal.

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Por fim, o Rio Iguaçu não tem uma sazonalidade bem definida como em outros rios da região Norte do país. Por causa disso, não existe uma comparação da vazão entre o mês de março de 2020 com o ano anterior, por exemplo.

Os triângulos vermelhos indicam as usinas hidrelétricas, enquanto as bolinhas verdes representam os postos hidrométricos. Nem todos são de responsabilidade da Copel. (Reprodução / Monitoramento da Bacia Iguaçu da Copel).

VAZÃO BAIXA TORNA A PRODUÇÃO DE ENERGIA MENOR

Com a vazão de água mais baixa, a produção de energia elétrica consequentemente se torna mais baixa. Contudo, não é só o Rio Iguaçu que sofre com a estiagem: a região Sul do Brasil está apresentando reservatórios abaixo da média.

Para superar isso, ainda mais na pandemia de coronavírus, onde milhares de pessoas estão em casa e gastam mais energia, o Ministério de Minas e Energia e o CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) definiram ações para superar essa baixa da produção no Sul do país.

São duas principais medidas: enquanto a vazão do Sul está com vazão baixa, o CMSE estipulou ao ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) o aumento na produção de energia nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste, além de colocar em funcionamento as usinas térmicas.

A primeira medida traz mais eficiência já que, no mês de março, a precipitação ficou acima da média nas bacias dos rios São Francisco, Tocantins e Paranaíba. Ou seja, foi maximizado o intercâmbio energético entre as regiões e compensa escassez de chuvas no Sul.

Portanto, não existe preocupação com uma suposta falta de energia.

TEMPO NO PARANÁ NÃO DEVE AJUDAR O RIO IGUAÇU, DIZ SIMEPAR

O principal motivo da vazão baixa no Paraná é a estiagem. E, de acordo com o Simepar (Sistema Meteorológico no Paraná), a tendência é que o tempo não ajude muito nesse outono.

A previsão é que, ao longo desse trimestre, ocorram os “veranicos” – períodos superiores a dez dias consecutivos sem chuvas. Ou seja, o cenário para os próximos meses não favorece a recuperação após a estiagem dos últimos 45 dias no Paraná.

“Não é muito boa a previsão do período. Hoje já tiveram áreas de instabilidade. Segunda-feira tem expectativa de novas áreas de instabilidade, mas não é nada que vá mudar o clima”, diz a meteorologista Ana Beatriz Porto da Silva.

Para a próxima segunda-feira (6), por exemplo, a chuva estimada em Foz do Iguaçu é de 55 milímetros. Contudo, isso ainda não é uma certeza.

“Tem uma expectativa sim que o sistema tenha mais chuva no sul do Paraguai e região da tríplice fronteira [divisa entre Brasil, Argentina e Paraguai]. Mas isso pode mudar”, finaliza ela.

Paraná Portal