O que move cotidianamente nossos agricultores familiares a produzirem o alimento que vai para as nossas mesas a cada dia? Quais as funções sociais do professor e do agricultor como aqueles dos quais precisamos todos os dias? Quando perguntamos a uma agricultora ou a um agricultor por que e para quem eles produzem? Muitas vezes lhes faltam essa resposta  e lhes sobram compradores do soja, do milho, do leite, da carne etc.

Muitos produzem por que foram ficando no campo, por não terem tido a oportunidade de estudar ou de empreender em alguma outra carreira. Porém existem casos cada vez mais evidentes dos que retornam ao campo por observarem as suas vantagens, como acesso a alimento de qualidade, uma educação mais próxima da família, pois podemos observar que a agricultura é uma das profissões que permite estar a maior parte do tempo junto com seus filhos. Também dentro disso podemos observar que os nossos agricultores são movidos pelas paixões pela terra, pelo campo e pela sua família, em muitos casos vemos os agricultores buscarem a aumento da sua renda para proporcionarem aos seus filhos o estudo que não tiveram, com o argumento de uma vida mais fácil no futuro para os seus filhos. Se formos analisar isso é produzir com amor e por amor.

Existe um modelo de produção que tem uma conexão mais forte com o amor, que é derivado da conscientização de que fazemos parte de um todo: a agricultura orgânica e agroecológica. Sim, neste sistema, os produtores amam a terra, o campo e suas famílias, e buscam o reconhecimento de sua produção de alimentos através da qualidade dos seus produtos e da venda direta deles para os consumidores. Estes modos de produção consideram os consumidores e o meio ambiente como parte de um todo, aplicando a ética do trabalho conectada a ética do cuidado, que considera todas as formas de vida a parte de um todo maior, que emprestamos das gerações futuras.

A agricultura orgânica também nos possibilita dialogar com outras culturas voltadas ao alimento, à produção de roupas e o mercado do bem-estar, abrangendo uma gama tão grande ou até maior que a agricultura convencional. Porém, ela demanda a quebra da inércia que nossos agricultores possuem em relação a buscar o novo, para produzir e conhecer o novo, para ter respeito a cada pessoa que consome, transformando o consumidor em um amigo e não em uma meta.

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Quando observamos as propriedades que praticam essa agricultura podemos perceber que são diversificadas, cheia de sabores produzidos com sabedoria e vontade. Quando estudamos a busca da felicidade observamos que ela vem do que definimos como objetivos a partir dos nossos sonhos, mas muitos agricultores convencionais deixam de lado isso por buscarem as realizações materiais que a agricultura convencional proporciona com maior facilidade. No entanto, a satisfação de receber um elogio pelo que produziu se torna escassa e a função social se resume apenas a um trabalho, retirando a possibilidade da satisfação do significado na vida de cada um. Podemos elogiar a plantação de soja, mas dificilmente alguém virá elogiar o produto soja, demonstrando satisfação com seu sabor.

A partir disso e considerando que a função econômica da produção convencional é vital para os municípios agrícolas nos dias atuais cabe a nós perguntarmos, por que utilizamos tantos insumos e venenos, quais são os limitadores do modelo de produção atual, quanto nós gastamos com maquinário, sendo que garantimos o lucro de toda uma cadeia e assumimos quase todos os riscos da produção, em relação ao meio ambiente podemos nos perguntar quanto que nós estamos vendendo de nossas terras e das nossas águas em forma de produtos? Caso quisermos ir mais a fundo quanto do futuro e da suade dos nossos filhos e netos que estamos comprometendo? Quanto da nossa saúde e do nosso meio ambiente já foi comprometido pelas gerações que nos antecederam?

Sobre o modelo de produção insustentável, lembro bem de uma análise que fiz quando era mais jovem aos 21 anos se não me engano, que se as discussões sobre o meio ambiente iniciou-se nas décadas de 70 todos nós somos a geração futura daquelas preocupações. Hoje com o aumento de catástrofes climáticas e derivando disso o maior risco de perda de produções acredito que temos que começar a amar mais as pessoas e o nosso meio ambiente e deixarmos um pouco de lado os nossos desejos por status e consumo.

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Colunista: Maikon Hilgert

(O presente artigo de opinião representa a opinião do colunista e NÃO do Portal)

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