Hitomi Akamatsu era sobrevivente da tragédia nuclear de Fukushima, em 2011. Em Abadiânia, a japonesa era conhecida por sua conexão com experiências paranormais

Hitomi Akamatsu, a japonesa de 43 anos encontrada morta na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia-GO, chegou ao local há cerca de dois anos para se curar de sequelas da exposição à radiação do acidente nuclear da usina de Fukushima, em 2011.

É o que apontam as investigações. Hitomi estava desaparecida há cerca de duas semanas e teve o corpo encontrado em uma cachoeira que é propriedade da casa Dom Inácio de Loyola. O local é de propriedade de João Teixeira de Faria, o João de Deus, médium condenado a 60 anos de prisão por abusar sexualmente de suas pacientes.

Pelos arredores da casa, Hitomi era querida e educada, mesmo não conseguindo falar português fluentemente. Os vizinhos a conheciam pela suposta ligação com o acidente de Fukushima e pela conexão com experiências paranormais.

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A oriental chegou a estrelar um documentário em 2013. “Hitomi and the God Particle” (Hitomi e a Partícula de Deus) narra a jornada da japonesa durante um treinamento no Havaí para desenvolver a capacidade de ver lugares ou vivenciar experiências à distância, por meio de habilidades paranormais. O filme chegou a estar disponível no catálogo da Amazon.

À revista Época, uma holandesa que vive em Abadiânia disse que Hitomi chegou à cidade muito doente, mas se recuperou como tempo. “Depois de um tempo, fizeram um exame e constataram que não tinha mais nada de radiação no corpo dela”, comenta a mulher, que preferiu não ser identificada. “Ela só fazia o bem para as pessoas. Orava por todo mundo.”

O crime

Segundo a Polícia Civil de Goiás (PCGO), Hitomi foi morta em uma tentativa de assalto cometida por um jovem de 18 anos. A estrangeira estava a caminho da cachoeira onde foi encontrada, quando o suspeito a abordou e tentou roubá-la. Ela teria tentado reagir e acabou sendo estrangulada com uma camisa.

O suspeito disse à polícia que, depois de atacar Hitomi, levou o corpo dela até uma área de floresta e jogou numa vala, cobrindo-o com pedras, terra e mato. “Quando a gente chegou no barraco onde ele morava, ele disse que já estava esperando”, afirmou um delegado à Época.

Jornal de Brasília