Outras 2,5 mil pessoas ficaram feridas. Espanha se soma aos esforços de ajuda e envia socorristas.

QUITO — Equipes de emergência intensificaram nesta segunda-feira a busca por sobreviventes do terremoto mais poderoso no Equador desde 1979, enquanto o número de vítimas não para de subir. Menos de dois dias após o tremor, o ministro da Segurança confirmou 350 mortos. Outras 2.527 pessoas ficaram feridas. Em um pronunciamento na TV, o presidente equatoriano, Rafael Correa, advertiu que o número deve aumentar de forma considerável.

— Certamente o número (de mortos) aumentará e provavelmente de forma considerável — afirmou Correa, que voltou no domingo ao Equador, procedente de Roma.
— Há ainda muitos corpos entre os escombros.

Com epicentro na província de Manabí (Oeste, a 300 km de Quito), o forte terremoto de 7,8 graus de magnitude atingiu o Equador na noite de sábado, afetando seis províncias da costa equatoriana. Sobreviventes procuram de maneira desesperada os parentes desaparecidos.

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A ajuda internacional começou a chegar ao país para colaborar nas tarefas de resgate, que continuam apesar da falta de energia elétrica em algumas zonas de Manabí, a mais afetada pelo desastre. Depois de Venezuela, Colômbia e México, a Espanha também anunciou o envio de socorristas.

Correa visitou algumas das pessoas afetadas após encurtar uma visita à Itália para acompanhar de perto os estragos causados pelo terremoto. O governo decretou “estado de exceção para proteger a ordem pública” e descartou um alerta de tsunami. Cerca de dez mil soldados e 3,5 mil policiais foram mobilizados nas áreas atingidas. Em Portoviejo (Oeste), uma das cidades mais afetadas, o cenário era desolador: casas destruídas, um mercado desabado, postes de luz caídos nas ruas e escombros espalhados pelo asfalto, onde muitos moradores decidiram passar a noite, ainda abalados pelo forte tremor. Quatro membros de uma mesma família morreram quando um prédio desabou em seu carro, informou a agência Associated Press. A família Quinde tinha viajado a Portoviejo, onde a filha de 17 anos, Sayira, iria começar a universidade na próxima semana.

— Foi horrível, é a primeira vez que sinto um terremoto como este, acho que durou um minuto e meio. Parecia que a casa iria cair. Estou surpresa, não imaginava que essa cidade ficaria assim — declarou Bibi Macontos, de 57 anos.

Quase cem presos fugiram de uma cadeia da cidade, informou a ministra da Justiça, Judy Zúñiga. Segundo ela, 30 foragidos foram recapturados e alguns retornaram voluntariamente ao centro penitenciário.

MAIS DE 200 RÉPLICAS

Até o momento foram contabilizadas 214 réplicas após o terremoto, de acordo com o jornal “El Universo”. David Rothery, professor de ciências planetárias na Open University do Reino Unido, explicou que “o terremoto do Equador se deu em terra” e que a energia total liberada foi aproximadamente 20 vezes maior que a do terremoto do Japão na madrugada de sábado.

— Não existe uma relação causal entre os terremotos do Equador e do Japão. Cerca de 20 terremotos de magnitude 7 ocorrem todo ano no mundo — afirmou o especialista.

Carlota López, de Guayaquil, estava em um carro quando começou a sentir o forte tremor.

— Os cabos de luz balançavam muito e tive medo que caíssem no carro. Logo depois acabou a luz da cidade — relatou à agência AFP por telefone. — O carro balançava como se houvesse pessoas do lado de fora o empurrando com muita força.

Trata-se de um dos piores terremotos da América Latina na última década, depois do tremor de 2007, no Peru, que deixou quase 600 mortos, do de 2010, no Chile, que matou mais de 150, e do desastre no Haiti, no mesmo ano, com mais de 300 mil mortos.

O Estado destinará US$ 300 milhões para emergências, e Correa disse que tem uma linha de crédito de US$ 600 milhões por meio de organizações como o Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF).

Fonte: El Pais, O Globo e YouTube

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