Raquel Dodge afirmou que deixa o seu cargo com o sentimento de dever cumprido. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu nesta quinta-feira (12) para que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ficassem “atentos” a sinais contrários à democracia liberal. A procuradora discursou em sua última sessão como representante do Ministério Público. Em sua fala, Dodge disse que no Brasil e no mundo surgem vozes contrárias ao regime de leis, ao respeito aos direitos fundamentais e ao meio ambiente sadio, e é preciso estar atento. Dodge afirmou ainda que, em um cenário de ataques à democracia, é grave a responsabilidade do Ministério Público e do Supremo Tribunal Federal de proteger o direito e a segurança de todos, bem como defender as minorias.

Em despedida de Dodge, o decano do STF, ministro Celso de Mello, reiterou que o Ministério Público deve atuar com independência, sem servir a governos ou grupos ideológicos. “O Ministério Público não serve a governos, não serve a pessoas, não serve a grupos ideológicos. O Ministério Público não se curva à onipotência do poder, não importa a elevadíssima posição que autoridades possam ostentar na hierarquia da República”, discursou.

O mandado de Dodge termina na próxima terça-feira (17). O presidente Jair Bolsonaro indicou para o lugar dela o subprocurador-geral da República, Augusto Aras, abrindo mão da lista tríplice feita a partir de eleição da categoria, que vinha sendo acolhida desde o ano de 2003. Aras deve ser sabatinado ainda pelo Senado para ter seu nome aprovado e ocupar o cargo.

Anúncio

O Sul